Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Dr. Carlos Pinto de Sá, na inauguração da Feira da Luz/2011
Senhora Presidente da Assembleia Municipal,
Senhor Deputado João Oliveira do PCP,
Senhoras Vereadoras, senhores Vereadores, senhoras e senhores Presidentes das Juntas de Freguesia, colegas Eleitos neste Poder Local Democrático,
Caro colega Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas,
Senhor Representante da Associação Nacional de Freguesias,
Senhor Representante da APORMOR,
Autoridades militares e religiosas,
Senhores Presidentes da Turismo do Alentejo e do Sindicato dos Professores da Zona Sul,
Caros Convidados de Instituições e Empresas, Montemorenses, Visitantes,
A nossa ancestral Feira da Luz cimentou-se como marca do ciclo económico baseado na terra e na natureza que caracterizou, por séculos, a vida da nossa comunidade. A nossa Feira da Luz, libertada pela Revolução Popular de Abril, renasceu, inovou, cresceu, atingiu inesperados patamares de atractividade, diversidade e qualidade, afirmou-se como uma das grandes feiras do Alentejo. Esta nossa nova Feira da Luz, ao projectar-se no futuro, tem sabido manter as suas raízes identitárias, tem sabido colher o que de melhor temos feito, tem sabido enfrentar obstáculos e dificuldades.
Vimos de um ano difícil. Um ano de quebra nas condições de vida da generalidade da população, um ano de retrocesso económico e social sem paralelo em democracia. Temos pela frente um ano ainda pior. Está em marcha acelerada a imposição de um programa de regressão social generalizada. Mas o Povo de Montemor é conhecido, também, pela sua capacidade de, sob as mais diversas condições e das formas mais diferenciadas, buscar caminhos de progresso.
Inauguramos a Feira da Luz/2011 com um convite e especial destaque à Banda Filarmónica da Sociedade Carlista que nos brindou com esta magnífica exibição. Não foi por acaso. Aquela Sociedade acaba de completar 150 anos e é exemplo da perseverança e da capacidade dos montemorenses. Viu a sua antiga sede destruída por um ciclone mas, com mão-de-obra voluntária, levantou do chão uma nova sede, edifício marcante da nossa cidade. A sua actividade recreativa e cultural marcou gerações. A Banda Filarmónica orgulha-nos. Justamente, a Câmara atribui à Sociedade, a Medalha de Mérito Municipal. Uma salva de palmas aos 150 anos da Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense - Carlista!
Prezados participantes e visitantes,
Caros concidadãos,
A Feira da Luz/2011 aí está. Ressentindo-se da crise como o Povo que a sustenta mas, ainda assim, surpreendentemente pujante, com 272 expositores e 90 feirantes. Façamos um breve percurso aleatório pela Feira.
Entremos no Pavilhão. A exposição central aborda “Boas Ideias para a Sustentabilidade”. É, a um tempo, uma mostra do trabalho feito para a valorização do concelho no âmbito da “Agenda 21 Local” e um desafio a todos para que apresentem ideias, para que participem activamente na construção do futuro de Montemor.
Ao lado, temos o espaço empresarial “Mor Economia, Mor Investe” expondo algum do esforço e dinâmica da base económica instalada e em instalação no concelho.
Descemos, agora, para a magnífica zona do toldo. A inesgotável vitalidade, os sons, a alegria, a correria dos mais jovens invadem o “Brincafeira” e a Oficina da Criança. E, por falar na Oficina da Criança, sabem que este ano comemora o 30º Aniversário? Quase apetecia pedir para cantar os “Parabéns a Você” mas lá se ia a solenidade do discurso… Visitemos, então, as fotos dos “Percursos de 30 Anos da Oficina”. E, já agora, os “ateliers” de Bolas de Sabão e de Mosaicos. Merecem, igualmente, uma salva de palmas todos os que, ao longo destes 30 anos, construíram e participaram neste projecto único, inovador e de referência que continua a ser a Oficina da Criança!
Passamos pelo palco principal onde irão decorrer grandes espectáculos musicais para vários gostos e, aproveitando o novo pavimento, rumamos ao Parque de Leilões.
Aí temos, a exposição pecuária, uma das melhores do país, organizada pela APORMOR, com 72 expositores / produtores. Aí temos, a promoção do Porco Alentejano, uma parceria entre a Câmara Municipal, a APORMOR e a Associação Nacional de Criadores do Porco Alentejano.
Descontraímos agora na ruidosa área dos divertimentos e na habitual visita à velhinha mas modernizada feira tradicional. Do brinquedo à ferramenta, do vestuário e calçado ao mais esquisito utensílio, lá encontraremos um pouco de tudo.
Uma passagem pelas nossas instituições e associações locais que, com tremendas dificuldades, teimam em erguer importantes projectos, em organizar actividades diversificadas. Um contributo inestimável ao desenvolvimento equilibrado do concelho. Na volta, temos a Feira do Livro, o Espaço Artesanato, a animação de rua.
E, claro, aquela ambiência única criada pelas tasquinhas e pela música do palco secundário onde, entre projectos diferentes, também apostamos em talentos do nosso concelho. Entre conversas, copos, reencontros, petiscos, ganhamos ânimo para enfrentar outras agruras. Venha lá então uma ginginha ou um poejo!
Mas a Feira é muito mais. É festa brava com a tradicional corrida de touros e, este ano de novo, com as largadas de final de noite, organizadas pelos nossos Bombeiros.
É desporto com o Espaço Aventura, a malha, BTT, cicloturismo, hipismo, natação, até ski aquático. É também o Concurso de Mel, a venda de produtos agrícolas, os colóquios e conferências com destaque para a que assinala o Centenário do Crédito Agrícola que daqui saudamos.
Aproveitemos o autocarro panorâmico ou o comboio turístico para ter uma outra visão da nossa cidade.
Prezados participantes e visitantes,
Caros concidadãos,
Portugal vive a maior e mais profunda crise económica e social desde a Revolução libertadora de Abril de 1974. Alguns dos principais indicadores dessa crise são:
- A maior taxa de desemprego oficial - 12,6% / 670.000 desempregados - e a crescer;
- Segunda recessão económica em 2 anos e a agravar, pelo menos, até 2014;
- Duplicação da dívida pública em 6 anos atingindo mais de 160 biliões de euros e 93% do PIB;
- Enorme défice orçamental de 9,5%;
- Cerca de 20% da população na pobreza, a maior desigualdade entre ricos e pobres da União Europeia mas 3 dos homens mais ricos do mundo.
Também em Montemor, os trabalhadores, a classe média, as pessoas de menores recursos, as pequenas e médias empresas sofrem o impacto desta crise imposta. Aumentam os desempregados mas corta-se no subsídio de desemprego; cresce a insegurança no emprego mas facilitam-se os despedimentos; as pequenas e médias empresas vendem menos mas aumenta-se o IVA; agrava-se a situação social de inúmeras famílias mas corta-se o abono de família e outras prestações sociais; encolhe o consumo privado mas corta-se nos salários reais, nas pensões e reformas. Em contrapartida, continuamos a assistir aos milhões de lucros dos grandes interesses económicos, à especulação financeira desenfreada, às benesses aos grandes e poderosos, aos sacrifícios para os pequenos e fracos.
O capitalismo financeiro, improdutivo e especulativo, criou a crise com a conivência dos governos e das instituições internacionais. E, agora, quer à custa dos povos e dos pequenos países, acumular mais, retirar direitos e condições de vida.
Na sequência de uma operação de agiotagem internacional, sob o olhar passivo e cúmplice dos Governos e das instituições internacionais, a chamada troika (União Europeia, BCE, FMI) impôs a Portugal um programa de Governo para os próximos anos que, sob a capa de uma propagandeada “ajuda internacional”, pretende, de facto, uma regressão económica e social da sociedade portuguesa. Na prática, vai-se assistir a uma transferência de rendimentos da maioria dos portugueses para o pequeno grupo dos já muito ricos e ainda à transferência de uma parte da riqueza criada pelos portugueses para grandes grupos e instituições internacionais.
Ao contrário do que diz a colossal campanha propagandística, não só estas medidas não são inevitáveis como há alternativas. Um exemplo recente apenas. No preciso dia em que o Governo anunciou o confisco de 50% do subsídio de natal aos trabalhadores, com o qual vai arrecadar € 850 milhões de euros, confirmou uma decisão do anterior Governo de entregar mais € 1.000 milhões de euros àquele buraco privado e escandaloso que é o BPN!
Não, repetimos, a crise que se abate sobre Montemor e sobre o país não é uma fatalidade. Resulta das políticas neo-liberais, das políticas de funil aplicadas ao longo de anos e nas quais se continua a insistir sem aprender com os erros. E teve e tem responsáveis que agem como se não houvesse alternativas. E há!
Não nos peçam, pois, para assistir impávidos ou até colaborar, em medidas e políticas erradas de empobrecimento da nossa população e do nosso concelho. Vamos continuar a denunciar e combater a injustiça; a denunciar e combater tudo o que penalizar o nosso Povo e o nosso Concelho e atacar os direitos dos cidadãos.
Vamos continuar a defender as populações ameaçadas, nas suas condições de vida básicas, com os insensíveis cortes nos rendimentos, no emprego, nos direitos. E a exigir uma distribuição do rendimento e da riqueza nacionais mais justas!
Vamos continuar a defender este Poder Local Democrático que tanto deu ao concelho e ao país. Vamos combater os brutais cortes de verbas que se anunciam e que vão pôr em causa investimentos, actividades, apoios necessários a Montemor.
Vamos continuar a defender os serviços públicos (a água, o saneamento, a saúde, a educação, os transportes, a segurança social, etc.) que são garantia do acesso de todos a condições básicas de vida.
Vamos continuar a defender que se aposte na produção nacional para a criação de riqueza e de postos de trabalho; que se acabe de vez com a política suicida de pagar para não produzir que está a liquidar a nossa agricultura, que paga para não investir, que paga para eliminar postos de trabalho e para aumentar o desemprego.
Ao novo Governo queremos, desta tribuna, transmitir a nossa completa disponibilidade para dialogar, negociar, decidir e colaborar em tudo o favoreça Montemor e as suas gentes mas, igualmente, afirmar a nossa firme disposição de nos batermos contra tudo o que penalize a população e o concelho.
Prezados participantes e visitantes,
Caros concidadãos,
Apesar do enorme corte de € 1.500.000 euros nas verbas a que a Câmara Municipal tinha direito, apesar de muitas outras medidas gravosas, o nosso Município mantém um vasto conjunto de investimentos, iniciativas e acções. Alguns exemplos.
Concluímos o abastecimento de água ao Cortiço, o loteamento municipal em Lavre, a ampliação do cemitério no Ciborro, o saneamento no Bairro dos Emigrantes e a pavimentação da Rua do Bairro Popular em Cortiçadas de Lavre; a requalificação da Estrada de S. Brissos e das escolas de S. Mateus e Foros de Vale de Figueira.
As obras do Centro Escolar e do Centro de Apoio às Micro-Empresas estão adjudicadas e iniciar-se-ão nos próximos meses.
O Programa Montemor Pedra a Pedra está em curso. Foi concluída a iluminação cénica do Castelo. Dentro de semanas vão começar as obras do Rossio, Janelinha, Lg. Banha de Andrade, Ruas Condessa de Valenças e Quebra Costas.
Estão em fase final de concertação, os projectos da Parceria Pública que assegurarão o abastecimento de água e o saneamento no concelho para as próximas décadas. Pretendemos, nos próximos meses, avançar com os concursos para as novas ETARs de Lavre e Ciborro.
A ampliação/requalificação do Quartel dos Bombeiros está em conclusão. Tem um investimento de € 1.515.000 euros, sendo financiado por € 865.000 euros da União Europeia e por € 650.000 euros da Câmara Municipal. Reabriu, finalmente, a Gruta do Escoural. Como se comprova, vale a pena lutar!
O Programa Integrado de Apoio Social “MonteMor Solidário” aumentou, em 8%, o seu contributo para minimizar os problemas sociais do concelho e aplicou, em 2010, € 1.302 mil euros.
Na área económica, tão massacrada, permitam que destaque:
- A fábrica de componentes automóveis, AIS, que criou cerca de 50 postos de trabalho e emprega, agora, mais de 130 trabalhadores;
- A inauguração do projecto turístico L´And Vineyards com hotel, adega e residências que coloca o nosso turismo num outro patamar;
- A aprovação do financiamento do Zoopark, que aqui anunciámos há 1 ano, um Parque Zoológico em 230 ha, que investirá 7 milhões de euros e criará 80 postos de trabalho;
- A Ecofur, indústria inovadora de carvão vegetal, prestes a iniciar a laboração na Adua.
Gostaria de anunciar, hoje, que o Grupo EIP vai fazer um novo investimento de 5 milhões de euros na Adua que inclui uma nova fábrica de metalomecânica e prevê criar mais 50 a 70 postos de trabalho. Esse investimento será feito no terreno onde se situa a suinicultura que, finalmente, será desactivada com enormes ganhos ambientais e de qualidade para o parque empresarial da Adua.
Prezados participantes e visitantes,
Caros concidadãos,
Feira da Luz é festa mas não há festa sem trabalho. A todos os que com o seu esforço e trabalho, colectivo ou individual, profissional ou voluntário, erguem a nossa festa, o nosso reconhecimento. De novo à Banda da Carlista mas também à Fanfarra dos nossos Bombeiros que deram brilho e qualidade a esta cerimónia, o nosso obrigado.
Daqui queremos transmitir a nossa forte solidariedade aos desempregados, aos jovens com futuro incerto, aos reformados, a todos os que, por algum problema, dificuldade ou carência, não podem partilhar ou usufruir da Feira.
Lá no alto do monte maior, o nosso Castelo, estou certo, sorri. Acolheu e protegeu gerações de montemorenses, assistiu a períodos duros, a muitas tristezas e poucas alegrias, a injustiças tremendas e continuadas mas também ao inconformismo, ao trabalho e à luta de um Povo que aprendeu a fazer das dificuldades forças, de um Povo que insiste em buscar o progresso, que insiste em ter uma palavra forte e determinante na construção de um futuro melhor e mais justo. Altaneiro e digno na sua sapiente secularidade, o nosso Castelo sabe que este não é um Povo que se rende mas que vai à luta. Lá no alto do monte maior, o nosso Castelo sabe porque sorri!
Vamos à Feira da Luz / 2011!